no samba sOu


Nas tradições de virada de ano, além de pulos de ondas, roupas brancas e pedidos pra realizações para o novo ano, existem as retrospectivas, cada um tem um modo de fazê-las; na Globo são lembradas matérias de fatos marcantes, nas igrejas, templos e terreiros, rituais fluem com varreduras de energias e saudações Ao, nas praias milhares de flores e barcas ofertadas À. Cada um cumpre o pensamento seu ou de outro pra Um que o faça crer.
Retrospectivar é, ação de relembrar fatos, pensamentos, sentimentos ocorridos.  Fazem quase 3 anos que deixei de retrospectivar os anos passados, desconclusões flutuavam por minha mente, e os tempos pareciam despontuados, ilógicos, foram muitos os desacordos. Neste ano muitas coisas boas aconteceram a mim e às pessoas que amo, coisas que a gente deseja no início de cada Novo Ano - não por mim, pois como disse, fazem alguns anos que não pratico rituais, faço pedido e coisas deste tipo. 
Entretanto cheguei, eis ao que me proponho ; agradecer, pontuar, contar, marcar a volta de algo tão menosprezado por bravos e estúpidos. 
Pensei um dia, com a clareza que penso hoje - "Não há lugar que deseje que não possa ir"- por otimismo ou excesso de confiança, acreditei que a força que tinha em mim era inabalável e inesgotável, que as paixões que formavam meu espírito não se esvairiam, que todos os valores que construí seriam base pra os que viriam com o tempo, que poderia dedicar-me a propósitos por épocas de vida, que o que ganhei seria meu haja o que houvesse. Parte disso seria verdade se a fé e a vigilância, não tivessem sido tão abaladas e negligenciadas por mim, em mim, para eu mesma. Estive diante do que nominei o "pior mal que se possa desejar ao inimigo", a perda da consciência de si. Hoje sei; 
Sou o respeito pelos meus pais, o carinho e o cuidado com meus amigos, sou o meu íntimo com meus segredos e lembranças, sou o amor recíproco com quem me acompanha e suporta neste dia a dia de pontas e luz que é a vida, sou Deus, Buda, sou a voz de Nina, o ardor de Janis Joplin, sou O beijo de Klint, os instantes de Doisneau, sou a raiz de Codel, Mombojó, Lenine, sou soul no samba soul. Sou doce e salgado, sou pimenta, banana e manjericão, sou 'ão' e sou 'ona'. Sou foto, espectro, humor, sou de vidro, vinil, e papel maché. Sou gaúcha das lagoas e Nego de coração,Sou o século XIII e as altanas de Veneza, sou o Parque Guell e as formas de Gaudi, sou Bake Street, Banksy, sou Bursin, sou o rio Tâmisa e o São Franscisco, sou Ponta Verde. Sou o enfrentamento dos meus medos, sou o sucesso e o fracasso dos meus feitos, sou o que derramei  e o que engoli, o que gemi e resignei, sou a saudade do que não vivi, e a vontade de viver pra ver o que virá. Hoje Sou.




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