me manca




As ausências são mais sentidas na eminência da falta do que nela própria. Pensei isso hoje enquanto tomava meu café da manhã com meu pai que entre muitos vai-e-vem estava novamente indo. 
Na terça feira passada o telefone tocou e ele então anunciava sua chegada em apenas algumas horas dali, pensei apreensiva se a a casa estaria arrumada, se naquele feriado o supermercado abriria até às oito, se no domingo iriamos para a chácara ou ficaríamos para almoçar o "peixe no tambor" à beira do rio.
No dia em que chegou estava com a agenda cheia, trabalho, ioga, show no SESC, cada minuto cronometrado e ajustado para caber um bate-papo receptivo."Oi pai que bom que está aqui, estou com a agenda meio apertada hoje, inclusive acabo de cair da bicicleta mas não há tempo pra colocar o gelo, precisamos ir. Você entende né?!" Ele resignado, sentou-se à mesa e continuou a rabiscar em seus papéis.
Ao chegarmos no hospital, às 2h da manhã enquanto ele queixava-se de taquicardia, aquela mesma que iniciou-se com os calafrios que presenciamos pós-show, senti a poeira abaixar, a adrenalina passar, e encontrei a saudade.

Então após uma semana de cuidados, papos filosóficos, e uma frigideira de frutas frescas sob a mesa como sinal de gratidão, me despeço dele e dessa saudade por mais uma outra temporada.



Utilizando uma expressão italiana, dedico este texto à todos que "mi manchi".



>> dOuble r

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